Como eu referi aqui na contribuição anterior, o 2003 UB313, o corpo celeste anteriormente alcunhado de Xena, ganhou um nome oficial. Passou de uma princesa guerreira, que desancava todos os homens, ou deuses, que encontrasse pelo caminho, e com uma relação ambígua com a sua parceira Gabrielle, para a deusa grega da desordem e do caos, Eride (ou Éris?). [... ler mais]
Filha de uma outra deusa sombria, Nix (a Noite), Eride era um personagem que só estava bem quando impelia os homens à guerra. O correspondente nome latino dessa deusa grega é Discórdia. A lua do corpo celeste anteriormente chamado Xena era alcunhada de Gabrielle (claro) e também ela ganhou um novo nome, Disnomia, filha de Eride, e que significa ilegalidade. Ora neste nome há pelos vistos uma homenagem escondida à Xena.
Para perceber a relação é preciso recordar que Mike Brown, o descobridor do corpo celeste agora designado por Eride, e o proponente dos novos nomes, é Natural dos Estados Unidos da América, logo anglófono. Em inglês ilegalidade diz-se lawlessness, e a actriz que desempenhava o papel da Xena chama-se Lucy Lawless. Não estou a inventar, podem consultar aqui o blog de Phill Plait sobre este assunto (em inglês). Ele falou directamente com Mike Brown que confirmou a coisa. Pelos vistos Brown era um verdadeiro fã da série televisiva.
sábado, setembro 16, 2006
Afinal sempre há algo da Xena no 2003 UB313
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quinta-feira, setembro 14, 2006
Xena dá lugar à Discórdia
Por decisão da União Astronómica Internacional o 2003 UB313 ganhou finalmente um nome, Eride (ou Éris como vi nalgumas páginas na internet), a deusa grega da discórdia. Na verdade não sei qual a grafia mais adequada em português, eu sempre conheci Eride e não fazia ideia que Éris (que conhecia do francês) também era usado. É provável que dado o nome inglês ser Eris seja essa a denominação a ganhar. Mas para já prefiro a que sempre utilizei. Não se trata de um nome simpático. [... ler mais]
Eride é a deusa por trás do julgamento de Páris que acabaria por precipitar a guerra de Tróia. Despeitada por não ter sido convidada para um casamento, Eride lançou uma maçã de ouro, o famoso "pomo da discórdia", sobre a mesa do banquete com a inscrição "para a mais bela". As deusas gregas não podiam resistir a algo tão fútil e o desafortunado príncipe troiano Páris teve então que escolher entre três deusas: Hera, Atena e Afrodite. Todas tentaram suborná-lo: Hera prometeu-lhe reinar sobre o mundo, Atena sabedoria e valor como guerreiro, e Afrodite a paixão da mulher mais bela do mundo, Helena de Tróia. O resto da história é bem conhecida. Páris, que tinha também o seu quê de fútil, escolheu Helena, que era casada com o rei de Esparta. Seguiu-se o rapto e como represália os aqueus das belas grevas destruiram a cidade dos troianos domadores de cavalos. Eis uma pintura ateniense de Eride dum vaso de cerca de 575-525 AC.
Depois de procurar um pouco lá encontrei uma descrição dessa personagem na Ilíada, algures no canto IV. Numa tradução livre da versão que tenho em casa (em francês):... e por toda a parte iam o temor e o terror da furiosa e insaciável Eride, irmã e companheira de Áries assassino de homens, a princípio débil, e que, caminhando com os pés sobre a terra, se eleva prontamente a ponto de tocar o céu com a sua cabeça. E ela percorria a multidão, despertando o ódio, e multiplicando os gemidos dos homens.
Trata-se de uma personagem algo sinistra, que semeia o caos e desordem por onde passa, e se regozija com o sofrimento e a guerra. Já os satélites de Plutão baptizados de Nix (que é a mãe de Eride) e Hidra evocam divindades sombrias e aterradoras. Parece ser uma moda para todos os corpos para lá de Neptuno. O nome Eride é no entanto de certa forma adequado, pois foi este corpo celeste que lançou a discórdia entre os astrónomos e levou Plutão a perder o estatuto de planeta. A orbitar Eride está uma lua com o nome da sua filha, Disnomia, que significa ilegalidade, o que realça a injustiça cometida pela assembleia geral da IAU. Eu optei por não me referir nem a Plutão nem a Eride por planeta-anão, mas até que a IAU volte atrás com a sua decisão disparatada essa é a categoria destes objectos.
O comunicado da IAU (pdf em inglês) pode ser encontrado aqui.
Ficha técnica
Imagem da deusa Eride tirada da Wikimedia Commons, desta página.
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quinta-feira, agosto 24, 2006
Plutão já não é um planeta
Numa decisão que só consigo classificar de cobarde e conservadora, numa sessão em que votaram apenas 424 astrónomos, de um total de 10,000, a IAU decidiu que Plutão não é um planeta. O sistema solar tem então 8 planetas: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Para além desses há uma classe de objectos que se consideram distintos e eles colocam o ênfase nisso, os planetas anões, dos quais Plutão e Ceres fazem parte. Não se trata de uma subcategoria de planeta, mas sim de uma categoria completamente à parte. [... ler mais]
O critério que utilizam para separar as duas categorias, é o "limpou a vizinhança em torno da sua órbita". Trata-se de uma questão de semântica, mas que tem implicações sérias quanto ao estatuto dos corpos celestes em questão. Neste momento temos planetas a "sério", planetas anões, e pequenos corpos (antes chamados planetas menores). Por estranho que possa parecer os planetas-anões não são planetas. Deviam ter utilizado outro nome, corremos o risco de vir a ter planetas anões maiores que os planetas a sério (embora seja pouco provável que haja qualquer coisa com a massa de Mercúrio para lá de Plutão).
Está certo que todos os objectos transneptunianos caberiam na Terra, mas por esse critério todos os outros planetas caberiam dentro de Júpiter. Não faz sentido, comparada a Júpiter a Terra também é um planeta anão. Não percebo como é que Júpiter e a Terra podem fazer parte da mesma família de objectos e a Terra e Plutão não. Tudo isto só acontece porque, face às últimas descobertas, os astrónomos teriam que juntar mais umas boas dezenas de planetas, e o sistema planetário mudaria todos os meses.
Outras contribuições sobre este tema:
Os astrónomos são loucos
Imagem astronómica do dia: querem despromover Plutão.
Imagem astronómica do dia: detalhes na superfície de Plutão
Imagem astronómica do dia: Ceres, o quinto vagabundo do sistema solar?
Ficha técnica
O comunicado da IAU pode ser encontrado aqui (em inglês).
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domingo, agosto 20, 2006
Querem despromover Plutão.
Dr. Richard G. French Presidente, comité DPS
Esta imagem é retirada do mesmo artigo de que falei na contribuição sobre a reconstrução de Plutão usando dados de trânsitos de Caronte. Trata-se de uma imagem tirada com o Hubble e como podemos ver a resolução é bastante mais pobre do que a que se consegue usando os trânsitos. Volto aqui a falar de Plutão porque um conjunto de astrónomos reagiu à proposta da IAU para a redefinição de planeta, de que falei aqui, com uma contraproposta algo reacionária. Chamo-lhe reacionária porque visa claramente manter o status quo. Aliás vai mesmo além, voltando ao que tinhamos 77 anos atrás. [... ler mais]
Não é claro o que IAU pretende fazer com esta "proposta", ou se vai seguer dignar-se a considerá-la. Há vários pontos nesta proposta mas é no primeiro que se concentram as diferenças de relevo. Eis aqui numa tradução do original que encontrei na SPACE.com:(1) Um planeta é corpo celeste se (a) é de longe o maior objecto na sua população local [1], (b) tem massa suficiente para que a gravidade intrínseca supere as forças de corpo rígido e assuma uma forma de equilíbrio hidrostático (quase redonda), (c) não produza energia por qualquer mecanismo de fusão nuclear.
O aspecto da "fusão nuclear" estava coberto na outra proposta com a cláusula do "não seja uma estrela". Com efeito, qualquer corpo que tenha massa suficiente para queimar deutério é por definição uma estrela, pelo menos uma anã castanha. Há no entanto uma diferença bastante grande que tem a ver com com o "ser de longe o maior" e o conceito de população local:[1] A população local de objectos que cruza ou se aproxima da órbita do corpo em consideração.
Isto elimina imediatamente Ceres, que tem apenas cerca de um terço da massa da cintura de asteróides, e segundo os autores da proposta também Plutão. Mas aí não comprendo o conceito de "população local". Estão a referir-se a toda a cintura de Kuiper? Eu pessoalmente acho que esta proposta é um passo atrás. Conceitos como "ser de longe o maior" e a "população local" são algo vagos para os objectos trans-neptunianos. Foram claramente postos lá para excluir Ceres e Plutão. Mais valia dizer que por definição os planetas são apenas oito.
Já agora e para não dar a impressão que os astrónomos estão em geral contra a proposta dos "doze ou mais planetas", a Divisão de Ciências Planetárias (DPS) da Sociedade Astronómica Americana apoia de forma entusiástica a proposta a ser votada (pelo menos os doze membros da comissão). O texto integral pode ser consultado no laço acima, e eu não resisto a traduzir a última parte:A Divisão de Ciências Planetárias (DPS) da Sociedade Astronómica Americana é a maior sociedade de cientistas planetários profissionais do mundo. O comité da DPS, eleitos pelos nossos membros, suporta vigorosamente a resolução da IAU. Foi proposta após dois anos de revisão cuidada por um painel de cientistas planetários, e seguida por um grupo vastamente representativo de historiadores, escritores e cientistas. A nova definição é clara e compacta, está firmemente baseada nas propriedades físicas dos corpos celeses, e é aplicável aos planetas encontrados em torno de outras estrelas. Ela abre a possibilidade para que muitos novos planetas tipo Plutão sejam descobertos no nosso sistema solar.
Já só faltam 4 dias para sabermos se temos os tais 12 planetas (que poderão passar mesmo de 50 no curto prazo).
A definição proposta vai ser levada à Assembleia Geral da IAU para votação em 24 de Agosto de 2006. Como representantes de uma comunidade de cientistas planetários, recomendamos que a resolução seja aprovada.
Adenda: afinal os anti-plutão levaram a deles avante na assembleia da IAU e Plutão já não um planeta.
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sexta-feira, agosto 18, 2006
Detalhes na superfície de Plutão

A questão acerca da redefinição do que é um planeta é uma boa oportunidade para "desenterrar" esta imagem de Plutão, que resulta de um estudo de Eliot F. Young e colegas publicado no Astronomical Journal (ref1) ainda no século passado (em 1999). A imagem, que mostra uma resolução impressionante, é na verdade uma reconstrução feita a partir de trânsitos de Caronte vistos da Terra. span class="arquivo">[... ler mais]
Numa tradução livre de parte da introdução do artigo:Pouco tempo após a descoberta de Caronte em 1978, verificou-se que o plano da órbita de Caronte era quase paralelo à linha de visão entre a Terra e Plutão. Vários observadores mantiveram uma vigilância quanto a eclipses, pois esperava-se que Caronte passasse à frente e atrás de Plutão, dado o eixo do plano da órbita ser perpendicular à linha de visão para a Terra. O primeiro trânsito reconhecido de Plutão por Caronte foi observado em 17 de Fevereiro de 1985 por R. P. B. Como Plutão e Caronte estão presos em órbitas mutuamente síncronas com um período de 6.4 dias, houve a oportunidade de observar um trânsito (e/ou eclipse) de Plutão por Caronte ou uma ocultação de Caronte por Plutão a cada 3.2 dias.
Isto durante um intervalo de tempo de 6 anos, com cada trânsito a durar umas poucas horas. Durante esses trânsitos a luminosidade do sistema podia diminuir até cerca de 40%. Devido ao facto das órbitas serem síncronas, apenas uma face Plutão era transitada por Caronte, e apenas uma face de Caronte era ocultada por Plutão. Houve ainda outro facto importante:No curso do movimento de Plutão em redor do Sol, o plano da órbita de Caronte parece deslocar-se, e assim a sombra de Caronte cobre primeiro o hemisfério norte de Plutão (em 1985 e 1986) e mais tarde o seu hemisfério sul (1989 e 1990).
Esta variação da região de Plutão que era ocultada tornou possível construir um mapa da variação da luminosidade sobre todo um hemisfério de Plutão. Como se mostra no esquema ao lado, em que se representam os tamanhos relativos dos dois corpos vistos da Terra, a área que Caronte cobre é no entanto bastante grande, e os autores tveram que utilizar um método iterativo para construirem o mapa acima. O método funciona bastante bem, a resolução é de cerca de 235 km em longitude e 314 km em latitude. O melhor que o Hubble consegue anda à volta de 400-500 km. É claro que o Hubble tem uma vantagem: consegue ver toda a superfície de Plutão, e não apenas o hemisfério em face de Caronte. Com esta resolução é possível verificar que a superfície de Plutão presenta algumas estruturas, com algumas áreas bastante escuras e outras um pouco mais claras. Há mesmo um ponto muito brilhante, visível na imagem no início da contribuição, um pouco acima da porção direita da faixa escura. Os autores especulam que o ponto brilhante, com cerca de 250 km de diâmetro, poderá indicar a presença de uma cratera ou de um géiser.
Voltando à redefinição de planeta, Mike Brown, o descobridor da "Xena" tem algumas considerações interessantes sobre o tema (em inglês). No fundo tudo se resume a que agora temos 4 famílias de planetas: os gigantes gasosos (4), os planetas terrestres (4), os planetas anões da cintura de asteróides (1 a 4) e os plutões (3 a "muitos"). Se a proposta for aprovada as coisas não irão mudar mudar assim tanto, é óbvio que as crianças na escola continuarão a aprender o nome dos planetas clássicos, e dirão simplesmente que depois há muitos plutões. O número dos "muitos" que se conhecem neste momento surpreendeu-me um pouco. Brown que trabalha activamente na descoberta destes objectos avança com alguns valores. O número de objectos com um diâmetro superior a 400 km (potencialmente redondos) conhecidos na cintura de Kuiper ultrapassa já os 40. Brown estima que existirão cerca de 200. Mas o número destes plutões é enganador, caberiam todos dentro da Terra e ainda sobraria muito espaço.
Adenda: afinal os anti-plutão levaram a deles avante na assembleia da IAU e Plutão já não um planeta.
Referências
(ref1) Young, Eliot F.; Galdamez, Karla; Buie, Marc W.; Binzel, Richard P.; Tholen, David J. (1999). Mapping the Variegated Surface of Pluto. The Astronomical Journal, Volume 117, Issue 2, pp. 1063-1076. Laço DOI.
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quinta-feira, junho 22, 2006
Uma hidra com as faces para lá da noite

Até nem foi preciso uma grande espera para dar o nome às pequenas luas de Plutão. Pelo menos quando se pensa que foram precisos 48 anos após a descoberta de Plutão para descobrir Caronte, e após isso 27 para descobrir estas luzinhas cinco mil vezes menos brilhantes que Plutão. Finalmente saiu o comunicado tão ansiado.[... ler mais]
A União Astronómica Internacional decidiu que o satélite mais exterior se chama Hidra, o monstro mitológico com muitas cabeças. O mais interior é Nix, a deusa grega da noite, mãe de Caronte. Nomes que embora sombrios se adequam a Plutão, deus dos infernos. O comunicado saiu hoje e mais detalhes podem ser consultados aqui (em inglês).
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quinta-feira, abril 13, 2006
O verdadeiro tamanho da Xena
Há lgum tempo atrás referi que observações com telescópios em Terra tinham determinado que o objecto 2003 UB313, alcunhado de Xena, era maior que Plutão. Na altura os cientistas estimaram que seria cerca de 30% maior que Plutão. Ora os cientistas utilizaram imagens de um instrumento em Terra, o telescópio Keck no Havai, que não permitiam realmente "ver" o tamanho do planeta. A estimativa foi feita a partir do brilho do objecto, e assumindo que tinha uma superfície semelhante à de Plutão. Novas observações com o Telescópio Espacial Hubble permitiram confirmar que a Xena é de facto maior que Plutão mas mesmo à justa. [... ler mais]
A Xena tem 2400 km de diâmetro, apenas mais 113 km que Plutão. A Xena e a sua lua Gabrielle não são os únicos sistemas de tipo planetário descobertos no sistema solar para lá da órbita de Neptuno e Plutão. A imagem ao lado mostra uma galeria de objectos que se conhecem e as suas dimensões relativas. As cores e todos os detalhes das superfícies são liberdades artísticas. É provável que haja muitos mais, o que tem relançado a questão de se se deverá considerar Plutão um planeta ou não. Afinal poderão existir muitos corpos de dimensões superiores às suas. O comunicado donde provém esta informação e as imagens encontra-se aqui, nas páginas oficiais do Hubble. Nessas páginas encontra-se também a visão artística da Xena e da sua pequenina lua Gabrielle que se mostra abaixo. 
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sexta-feira, março 10, 2006
Mais sobre os satélites de Plutão

Uma equipa de investigação liderada por Hal Weaver do Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory e Alan Stern do Southwest Research Institute observou o sistema plutoniano com dois filtros de cores diferentes, um filtro B (F435W) que é sensível ao azul, e um filtro V (F606W) sensível à região do espectro mais próxima do vermelho.[... ler mais]
Os resultados publicados na International Astronomical Union Circular (No. 8686), mostram que os dois novos satélites de Plutão, com a designação provisória de S/2005 P1 e S/2005 P 2, têm aproximadamente o mesmo brilho nos dois filtros, sugerindo que têm uma cor neutra, semelhante por exemplo a da Lua da Terra. Caronte apresenta também o mesmo tom neutro, contudo Plutão mostra uma cor avermelhada. Este resultado é mais uma evidência a apontar para uma origem comum de Caronte e das duas luas menores, possivelmente pela colisão de Plutão com um corpo de grandes dimensões. O resultado necessita no entanto de ser verificado pois medições anteriores tinham dado uma cor ligeiramente diferente para o S/2005 P 2, embora as medições mais recentes sejam muito mais precisas.
Plutão é uma presença recorrente aqui no cais, com três contribuições nos últimos meses:
26 Fevereiro de 2006, Anéis em Plutão? e Imagem astronómica do dia: as três luas de Plutão
1 Novembro de 2005, Plutão aumenta o seu séquito
Nota: imagens e o comunicado de imprensa podem ser encontrados nas páginas do Hubble.
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domingo, fevereiro 26, 2006
Anéis em Plutão?

As descobertas recentes em Plutão, e noutros objectos da cintura de Kuiper, são um exemplo do potencial científico desta região do sistema solar. Esta imensidão gelada, para lá dos planetas gigantes, encerra segredos que, uma vez desvendados, serão ser úteis para entender a própria história da Terra, e de como o sistema Terra-Lua se poderá ter formado. A mesma edição da Nature que contém o artigo sobre a descoberta das duas novas Luas de Plutão, contém um interessante artigo de Stern e colegas (ref1) onde se discute a formação do sistema de quatro corpos. O objectivo dos autores é mostrar que um sistema planetário do tipo observado só pode resultar da colisão entre dois corpos de grandes dimensões, e que os 4 corpos que formam o sistema observado se originaram nessa colisão, da qual se mostra uma perspectiva artistica na imagem. [... ler mais]
Numa tradução livre do primeiro parágrafo:Dois satélites de Plutão descobertos recentemente (P1 e P2) possuem massas que são pequenas comparadas quer com Plutão quer com Caronte (entre 5 décimos milésimos e um centésimo milésimo da massa de Plutão, e entre 5 milésimos e 1 décimo milésimo da massa de Caronte). Esta descoberta, quando combinada com a ausência de satélites mais distantes de Plutão, mostra que Plutão e as suas luas formam um sistema quadruplo muito compacto que é pouco habitual.
Os autores usam então as propriedades das órbitas para inferir o processo de formação do sistema planetário:Estes factos levantam de forma natural a questão de como este intrigante sistema planetário se poderá ter formado. Mostramos aqui que a proximidade de P1 e P2 a Plutão e Caronte, o facto de que P1 e P2 estão em órbitas quasi-circulares no mesmo plano que Caronte, juntamente com a sua localização em ou próximo de ressonâncias de movimento médias de ordem elevada, resultam todos de terem sido formados a paritir de material expelido em resultado de uma colisão que originou a formação de Plutão e Caronte.
A quase circularidade das órbitas, todas no mesmo plano, e os períodos das órbitas são factos difíceis de enquandrar num quadro em que as luas seriam originalmente corpos que ao passarem na proximidade de Plutão teriam sido capturados pelo planeta. Pelo contrário, as observações são facilmente explicadas admitindo os três satélites resultam da aglutinação de material ejectado pela colisão de Plutão com um corpo de dimensões semelhantes às suas. Trata-se de um mecanismo semelhante ao que se admite para a formação da Lua. Igualmente interessantes são as afirmações seguintes:Argumentamos também que anéis de gás e poeira se formam esporadicamente no sistema plutoniano, e que sistemas ricos em satélites podem ser encontrados em torno de outros corpos de grandes dimensões na cintura de Kuiper.
Como podemos ver há muito a aprender com o sistema plutoniano, e com os outros objectos semelhantes existentes na cintura de Kuiper. Todos estes resultados criam ainda maior expectativa quanto aos avanços que se poderão obter em 2015 quando a missão espacial Novos Horizontes, lançada pela NASA em 19 Janeiro de 2006, se aproximar a apenas 10,000 km de Plutão. É preciso esperar 10 anos mas se tudo correr bem valerá seguramente a pena.
Referências
(ref1) A giant impact origin for Pluto's small moons and satellite multiplicity in the Kuiper belt. Stern et al (2006) Nature 439, 946-948. Laço DOI.
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As três luas de Plutão

É oficial, depois de alguns meses de espera ansiosa, confirmou-se de facto que Plutão tem mesmo pelo menos três luas. Numa contribuição anterior, tinha sido avançada essa possibilidade. Novas observações com o Telescópio Espacial Hubble confirmaram a presença dos dois novos objectos nas posições esperadas.[... ler mais]
Numa tradução livre de parte do primeiro parágrafo do artigo publicado na revista Nature (ref1), por Weaver e colegas,:O primeiro satélite conhecido de Plutão, Caronte, foi descoberto em 1978. Tem um diâmetro (~ 1,200 km) que é metade do de Plutão, o que o torna em relação ao primário maior que qualquer lua do sistema solar. Estudos anteriores em busca de outros satélites em torno de Plutão não encontraram mais nenhum satélite, mas esses estudos não eram sensíveis a objectos com diâmetro inferior a 150 km, não existindo nenhuma razão fundamental para que Plutão não pudesse ter mais satélites. Relatamos aqui a descoberta de duas luas adicionais em torno de Plutão, provisoriamente designadas por S/2005 P 1 (P1 no que se segue) e S/2005 P 2 (apenas P2 daqui por diante), o que faz de Plutão o primeiro corpo da cintura de Kuiper a ter mais de um satélite. Estes novos satélites são muito mais pequenos que Caronte, com estimativas do diâmetro de P1 variando de 60 a 165 km, dependendo da reflectividade da sua superfície, com P2 cerca de 20 por cento mais pequeno que P1.
Ou seja, os resultados que se esperavam foram confirmados. Não deixa de ser impressionante que se consigam distinguir objectos de apenas algumas dezenas de km de diâmetro a uma distância de mais de 4 mil milhões de km. É no entanto preciso notar que Plutão poderá muito em breve ter companhia, um outro objecto de grandes dimensões da cintura de Kuiper, alcunhado de "Pai Natal", possui um satélite confirmado, o "Rudolfo", com a possibilidade de outras "renas" em órbita. E quem sabe, talvez outro dos objectos discutidos numa contribuição anterior, a "Xena", possua também companheiros para a sua lua "Gabrielle". A cintura de Kuiper promete ser um alfobre de sistemas planetários. Um pouco mais adiante:Embora não se possam obter órbitas exactas dos dois corpos, ambos parecem mover-se em órbitas circulares no mesmo plano orbital de Caronte, com períodos orbitais de ~38 dias (P1) e 25 dias (P2).
O facto de se moverem no mesmo plano é importante pois indica que os três satélites de Plutão se terão formado no local, não se tratando de capturas. É mesmo possível que os três satélites se tenham formado de forma semelhante à Lua da Terra, como resultado da colisão de Plutão com um corpo de dimensões semelhantes às suas. O estudo do sistema plutoniano, onde o material expelido durante a colisão se juntou para formar 3 luas e não apenas uma, permitirá perceber melhor a forma como os sistemas de satélites se formam em torno dos planetas. A equipa de investigação planeia novas observações já no início de Março.
Referências
(ref1) Discovery of two new satellites of Pluto. H. A. Weaver et al. (2006), Nature 439, 943-945. Laço DOI.
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sábado, fevereiro 04, 2006
Xena e Gabrielle
O objecto à esquerda, é o 2003 UB313. A imagem obtida pelo telescópio Keck mostra que esse objecto possui um companheiro, um pequeno satélite (ver ref1). O UB313 não possui um nome formal mas é alcunhado de Xena, e o satélite de Gabrielle, personagens de uma popular série televisiva de espada e magia. Após a descoberta do satélite tem-se discutido com alguma insistência se "Xena" deveria ser considerado o décimo planeta. Alternativamente, algumas vozes propuseram que fosse retirado o estatuto de planeta a Plutão. O sistema solar tem sofrido uma inflação de corpos de dimensões planetárias nos últimos anos. Por exemplo, existe um outro objecto semelhante ao UB313, alcunhado de Pai Natal, que possui também um satélite, o Rudolfo. A Xena e o Pai Natal são os objectos mais brilhantes da chamada cintura de Kuiper, um vasto manancial de objectos de dimensões variadas que orbitam para lá de Neptuno.[... ler mais]
Ora a saga do 2003 UB313 não terminou com a descoberta de Gabrielle. Observações recentes (ref2) mostram que Xena é significativamente maior que Plutão, com um diâmetro de 3000 km, mais 700 km que Plutão. O facto de termos encontrado um objecto com dimensões superiores a Plutão significa que é possível que existam mais uns quantos, e se o critério para designar algo por planeta tiver a ver com tamanho podemos acabar com um grande número de planetas. A seguir com interesse.
Nota: alguns leitores perguntaram-me se os nomes informais dos objectos eram mesmo Xena e Gabrielle, ou se não se trataria de devaneio de entusiasta do programa televisivo. Podem verificar aqui nas páginas do Keck.
Referências
(ref1) Satellites of the Largest Kuiper Belt Objects M.E. Brown, M.A. van Dam, A.H. Bouchez, D. Le Mignant, R.D. Campbell, J.C.Y. Chin, A. Conrad, S.K. Hartman, E.M. Johansson, R.E. Lafon, D.L. Rabinowitz, P.J. Stomski, Jr., D.M. Summers, C.A. Trujillo, and P.L. Wizinowich. Astrophys. Journal Letters, no prelo.
(ref2) The trans-neptunian object UB313 is larger than Pluto. F. Bertoldi, W. Altenhoff, A. Weiss, K.M. Menten and C. Thum. Nature 439, 563-564 (2 February 2006) | doi:10.1038/nature04494
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terça-feira, novembro 01, 2005
Plutão aumenta o seu séquito
Plutão, o nono planeta do sistema solar, foi descoberto em 1930, e só em 1978 se veio a saber que possuía uma lua, Caronte. Recentemente, astronómos que utilizaram o Telescópio espacial Hubble para investigar Plutão dizem que Plutão tem não uma, não duas, mas sim três luas. Os dois objectos recém-descobertos parecem orbitar a cerca de 44000 km de Plutão, e são designados temporariamente por S/2005 P1 e S/2005 P2.[... ler mais]
A imagem acima apresenta uma visão artística do aspecto que o sistema planetário plutoniano teria visto de uma das novas luvas. Plutão é o objecto maior, Caronte encontra-se à esquerda de Plutão, e o pequeno disco brilhante à direita é a segunda lua. É óbvio que mesmo com o Telescópio espacial este nível de detalhe não é possível. Em baixo mostra-se o aspecto real das observações.
Nestas imagens tiradas com um intervalo de 3 dias, Plutão e Caronte são pequenos discos sem detalhes, acompanhados de 2 objectos que parecem ter uma órbita no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Caronte executa uma órbita no mesmo sentido mas muito mais rápida pois encontra-se mais perto de Plutão. Os supostos novos satélites naturais de Plutão são milhares de vezes menos brilhantes que Plutão e em imagens obtidas em observações anteriores de Plutão não são detectáveis, excepção feita a uma imagem de 2002.
As linhas a vermelho são as órbitas previstas para as duas novas luas, partindo das posições observadas em Maio de 2005. As imagens de 2002 mostram dois objectos de fraco brilho nesta trajectórias, o que parece confirmar a suposição de que se trata de satélites de Plutão. Só em Fevereiro, quando a equipa que descobriu os dois supostos satélites levar a cabo novas observações com o Hubble, se poderá confirmar se os dois objectos são de facto luas ou não. Apenas nessa altura a União Astronómica Internacional dará nomes aos novos objectos.
Mais informação pode ser encontrada nos sítios ofíciais da NASA e do Telescópio Espacial Hubble (em inglês apenas).
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