A questão acerca da redefinição do que é um planeta é uma boa oportunidade para "desenterrar" esta imagem de Plutão, que resulta de um estudo de Eliot F. Young e colegas publicado no Astronomical Journal (ref1) ainda no século passado (em 1999). A imagem, que mostra uma resolução impressionante, é na verdade uma reconstrução feita a partir de trânsitos de Caronte vistos da Terra. span class="arquivo">[... ler mais]
Numa tradução livre de parte da introdução do artigo:
Pouco tempo após a descoberta de Caronte em 1978, verificou-se que o plano da órbita de Caronte era quase paralelo à linha de visão entre a Terra e Plutão. Vários observadores mantiveram uma vigilância quanto a eclipses, pois esperava-se que Caronte passasse à frente e atrás de Plutão, dado o eixo do plano da órbita ser perpendicular à linha de visão para a Terra. O primeiro trânsito reconhecido de Plutão por Caronte foi observado em 17 de Fevereiro de 1985 por R. P. B. Como Plutão e Caronte estão presos em órbitas mutuamente síncronas com um período de 6.4 dias, houve a oportunidade de observar um trânsito (e/ou eclipse) de Plutão por Caronte ou uma ocultação de Caronte por Plutão a cada 3.2 dias.
Isto durante um intervalo de tempo de 6 anos, com cada trânsito a durar umas poucas horas. Durante esses trânsitos a luminosidade do sistema podia diminuir até cerca de 40%. Devido ao facto das órbitas serem síncronas, apenas uma face Plutão era transitada por Caronte, e apenas uma face de Caronte era ocultada por Plutão. Houve ainda outro facto importante:
No curso do movimento de Plutão em redor do Sol, o plano da órbita de Caronte parece deslocar-se, e assim a sombra de Caronte cobre primeiro o hemisfério norte de Plutão (em 1985 e 1986) e mais tarde o seu hemisfério sul (1989 e 1990).

Voltando à redefinição de planeta, Mike Brown, o descobridor da "Xena" tem algumas considerações interessantes sobre o tema (em inglês). No fundo tudo se resume a que agora temos 4 famílias de planetas: os gigantes gasosos (4), os planetas terrestres (4), os planetas anões da cintura de asteróides (1 a 4) e os plutões (3 a "muitos"). Se a proposta for aprovada as coisas não irão mudar mudar assim tanto, é óbvio que as crianças na escola continuarão a aprender o nome dos planetas clássicos, e dirão simplesmente que depois há muitos plutões. O número dos "muitos" que se conhecem neste momento surpreendeu-me um pouco. Brown que trabalha activamente na descoberta destes objectos avança com alguns valores. O número de objectos com um diâmetro superior a 400 km (potencialmente redondos) conhecidos na cintura de Kuiper ultrapassa já os 40. Brown estima que existirão cerca de 200. Mas o número destes plutões é enganador, caberiam todos dentro da Terra e ainda sobraria muito espaço.
Adenda: afinal os anti-plutão levaram a deles avante na assembleia da IAU e Plutão já não um planeta.
Referências
(ref1) Young, Eliot F.; Galdamez, Karla; Buie, Marc W.; Binzel, Richard P.; Tholen, David J. (1999). Mapping the Variegated Surface of Pluto. The Astronomical Journal, Volume 117, Issue 2, pp. 1063-1076. Laço DOI.
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